terça-feira, 21 de abril de 2009

Yorrana Maia e Roland Barthes na passarela

Por Isaac Lôbo
Foto: Carol Belém
Antes que questionem a presença de Roland Barthes na passarela, eu explico: o crítico literário francês não ressuscitou, mas as suas idéias, sim, ao longo dos anos. Dessa vez, a interpretação dos conceitos do filósofo saiu do cenário acadêmico e ganhou as passarelas. Isso mesmo: a estilista e designer Yorrana Maia se inspirou no clássico livro do autor A câmara clara – Nota sobre a fotografia (1980) para criar sete looks, que serão apresentados no desfile de abertura do Ano da França no Brasil nesta terça-feira (21), às 18 horas, no Museu Histórico do Estado do Pará. Outras dez marcas locais participam do evento.

Com malha de bambu, viscose e tricoline, a estilista reproduz em peças as experiências de quem olha as fotografias e a de quem é olhado, deixando de lado a ação técnica de fotografar e evidenciando as intenções de quem posa e de quem observa. As roupas contam justamente essa história: “a que cada um vive de forma singular ao mirar uma imagem ou ao posar para os olhos de uma câmera”, explica Yorrana, acrescentando que o desafio deste desfile foi criar os looks, já que o tema da coleção estava bem definido. A última coleção da designer, “Fotografia para quem posa”, lançada em dezembro de 2008 na 6ª edição do Caixa de Criadores, foi inspirada da obra de Barthes.

Para a produção dos sete looks, Maia demandou cerca de uma semana para desenhar e mais duas semanas para confeccionar. Ela confessou também que ficou feliz e nervosa com o convite para fazer parte do evento de abertura do Ano da França no Brasil, que ocorrerá simultaneamente em várias cidades do Brasil. “É um evento importante, onde estarão autoridades dos consulados e formadores de opinião”, revelou, ressaltando que cada desfile é especial da sua maneira, mas participar deste é muito gratificante. “Significa que, mesmo com pouco tempo de experiência concreta, as pessoas já começam a gostar do meu trabalho e, o mais importante, é que saibam que há um conceito, uma história por trás das roupas”.

Yorrana Maia, 26 anos, é bacharel em Design pela Universidade do Estado do Pará (Uepa), com pós-graduação em Moda e Criação pela Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, e extensão em Moda como fator cultural pelo Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing (Iade), em Lisboa, Portugal. Em junho de 2008, a estilista lançou a sua primeira coleção no Caixa de Criadores, com o tema “Adore um choro”, inspirada no ritmo musical do Choro. Em dezembro do mesmo ano, Yorrana lançou a coleção “Fotografia para quem posa”, também no Caixa de Criadores.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

E a França chega à Amazônia

Foto: Carol Belém

Belém, assim como outras tantas cidades do Brasil, será invadida de abril a novembro deste ano pela cultura francesa. É o Ano da França no Brasil, que promove um desfile com 11 marcas paraenses na abertura da programação, nesta terça-feira (21), às 18 horas, no Museu Histórico do Estado do Pará. A entrada é franca.

Com inspiração na alta costura, na arquitetura e na arte francesas, o desfile, organizado pelo coletivo Moda Pará, do Sebrae, apresenta ao público 70 looks, criados especialmente para o evento, das marcas Yorrana Maia, Celeste Heitmanmn, Vitorelle, Amazônia kamã, Maria Belém, Ná Figueiredo, Rosa Leal, Fora D’água, Manufatura, Madame Floresta e Igama.

Tecidos da fibra de tururi, escamas de peixe e folhas esqueletizadas compõem as peças da moda praia; sementes de açaí, tucumã, mara-mara e inajá, as bolsas, os acessórios e as jóias; e malhas de bambu, tafetá de seda, cambraia, gorgorão, rendas, pérolas e riscas de giz, os looks masculinos e femininos. Quem assina o desfile é o estilista Diogo Carneiro.

O Ano da França no Brasil é uma realização do Governo do Pará, do Consulado da França e da Aliança Francesa. O Museu Histórico do Estado do Pará fica na Praça Dom Pedro II, s/n, no bairro da Cidade Velha, em Belém.

Fonte: Agência Pará.

Iguana?! Cadê?

Por Lidiane Campos
Foto: Lidiane Campos

É incrível como a natureza dotou os animais de defesa. Uns rastejam; outros têm olfato apurado; existem aqueles que enxergam muito bem; e muitos outros que possuem uma capacidade de escuta impressionante. Tudo questão de sobrevivência. Cada qual com uma habilidade específica. E dentre essas, a que mais me fascina é a camuflagem - que conseguiu me enganar direitinho, diga-se de passagem. Tanto é verdade que, quando registrei essa imagem, nem sabia o que estava por detrás, ou melhor, entras as pedras e as raízes da árvore. Apenas quando fiz o upload é que me dei conta da iguana espertinha, na minha foto, de enxerida!
Detalhe: essa aí é uma iguana mexicana, moradora de um lugar histórico, que já serviu de santuário à IxChel, deusa da fertilidade, situado no sítio arqueológico de San Gervasio, na pequena ilha de Cozumel, no México. Lá, é possível sentir um pouco daquilo que foi a civilização Maia, dizimada com a chegada dos espanhóis na América. Quem visitar a cidade não deve deixar de, além de conhecer as belíssimas praias da região e de beber a autêntica tequila mexicana, conferir de perto aquilo que restou dos povos de língua maia: ruínas, é claro. E muitas iguanas.

domingo, 19 de abril de 2009

Em Jeri, no sentido do sol

Por Isaac Lôbo

Foto: Klébeson Moura

Tudo bem que o sol se põe todos os dias, em todos os lugares – em alguns, com mais facilidade para apreciar. Mas o que faz todo pôr-do-sol ser único, diferente? Quando chegamos em Jericoacoara, no Ceará, no final da tarde, fomos intimados a seguir para a duna do pôr-do-sol.

Não precisaria nem pedir outro tipo de indicação, já que todos no lugar seguiam em direção ao ponto mais alto da duna. Lá de cima, assistimos ao pôr-do-sol de Jeri e sentimos a aura do lugar, junto com dezenas de pessoas. A imagem é incrível e a sensação, única. A impressão que eu tinha era de que todos estavam sentindo o mesmo que eu: paz.

sábado, 18 de abril de 2009

No balcão, a xícara


Por Mari Chiba
Foto: Mari Chiba

Solitária num balcão, uma xícara. Um capuccino com muito chantilly causou-me espanto! Muita gente, movimento e correria. Minhas noites, desde não sei mais quando, eram assim - ainda são, mas estou tentando colocar um fim nisso. É motorista, assaltante, estudante, “pé-rapado” e empresário. Tudo entrevistado e entrevistada, fotografado e fotografada. No meio da enrolada, fui brindada, certa noite, com uma pauta sobre um café da cidade, no Café da Sol.

Perambulando entre as mesas, ao ver e ouvir ali aqueles que compunham o cenário, deparei-me novamente com aquela sensação de estar não estando, concentrada no trabalho. De relance, olhei para o balcão. Lá estava ela: a xícara, posta pelo garçom para ser fotografada. Quando segui em direção a ela, o cenário desfocou. Poucos passos. Ligeiros. Era uma xícara, um capuccino, tão só, tão singela num balcão. Um espanto em mim. Recobrei-me. Um momento, poucos segundos, só eu e ela.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Totes que caem bem



Não são grandes e nem pequenas, não são armadas e nem moles demais. E são próprias para colocar cadernos e pastas. Com tecidos macios e cores leves, apresentamos uma bolsa tote. Confesso que temos um carinho especial por elas: além de básicas, sempre caem muito bem.

Feita de algodão, a parte externa da bolsa é listrada e a interna, quadriculada; a alça, em verona rosa. A tote vem também com bolso interno e com engate para chave. Custa R$ 30 + frete. Para comprá-la, envie e-mail para cadicoisa@gmail.com.



quarta-feira, 15 de abril de 2009

Exagero en los pies


Por Lidiane Campos

Há males na vida que vêm para o bem, como já diria o velho conhecido ditado popular. Um dos casos que traduz bem o provérbio é o que a crise econômica tem feito nos pés das mulheres, ou melhor, nos sapatos. Segundo reportagem publicada no jornal El País, para fugir desse período de turbulência econômica, estilistas estão apostando todas as fichas em projetos ousados – ousadíssimos, por sinal – para fisgar de vez a atenção do consumidor. Um deles é o Spicy, criado pelo desenhista Marc Jacobs, que foi feito com retalho de peles preciosas e teve inspiração tribal. Custa exatamente 1800 euros. Há muitos outros, também não menos exagerados ou práticos, que ultrapassam os 15 centímetros de altura e são decorados com brilhos, lantejoulas e flores.
De diferentes cores, formatos e materiais! Confiram aqui.


quinta-feira, 26 de março de 2009

Coisas de Varal - 3ª Edição






Quem gosta de produtos diferentes e acessíveis precisa reservar um horário neste sábado (28) para conferir a terceira edição do "Coisas de Varal", um brechó promovido pelos alunos do curso de moda da Universidade da Amazônia (Unama). Lá, você irá encontrar produtos das marcas dos estudantes em liquidação.
Vai lá no varal! Travessa Humaitá, 496, entre Pedro Miranda e Antônio Everdosa. De 10 às 22 horas. E a entrada ainda é franca!






sexta-feira, 20 de março de 2009

Sensibilidade entre elas



Por Isaac Lôbo
Foto: Mari Chiba

A mistura entre o pop, o samba, a música romântica e o jazz pode dar certo. O segredo é o toque feminino. Nesta sexta-feira (20), Simone Almeida, Lia Sophia, Juliana Sinimbú, Dayse Addario e mais 21 mulheres apresentam o espetáculo musical “Entre Elas” no teatro Margarida Schivasappa, no Centur, em homenagem ao mês das mulheres. O diferencial do show é a presença feminina no palco e nos bastidores.
Além de cantoras e instrumentistas, o “Entre Elas” reúne mulheres em todas as outras áreas que compreendem a produção e realização do espetáculo, como na direção artística, cenário, iluminação, direção musical, arranjos e roadie – o que foi um desafio. “Houve um pouco de dificuldade para encontrar as parceiras para o show, até porque o espetáculo demanda musicistas que não apenas toquem um instrumento, mas que o façam com qualidade. E ainda há poucas que se dedicam a estudar seu instrumento pensando como profissionais. Com essas poucas que se aventuram na atuação, a dificuldade foi encontrar horário para os ensaios em suas agendas repletas de compromissos”, revela Cibelle Jemima, idealizadora e diretora musical do show.
A idéia de fazer o espetáculo surgiu quando Cibelle tentou formar um grupo instrumental feminino com a linguagem do jazz e da música brasileira. Diante da dificuldade para encontrar mulheres que atuam profissionalmente como instrumentistas, Jemima pensou em organizar o “Entre Elas”, para chamar atenção das próprias musicistas e estimular as habilidades e a criatividade das profissionais paraenses, além de homenagear as mulheres.

“Mais do que o intuito de provar qualquer coisa, o espetáculo vem como um desafio e um estímulo para nós mesmas. Apenas não encontrei atuação feminina em Belém, ao menos profissionalmente, na função de técnica em sonorização - apesar de haver grandes profissionais femininas nessa área nos grandes centros do país. No mais, em todas as áreas que englobam o universo do espetáculo, é possível encontrá-las atuantes, apesar de ainda raro, e o principal: com qualidade no que fazem”, garante Cibelle, que também assina o arranjo do espetáculo.
A intenção do espetáculo não é somente homenagear as mulheres, mas também fazer uma reflexão dentro do próprio universo feminino. “Falaremos de nossas conquistas, de nossa força, mas também de nossas fraquezas, do que nos faz rir e chorar. Para isso, teremos o repertório escolhido, a cenografia, as interferências de uma atriz durante o espetáculo e a presença de mulheres tanto no palco, quanto na platéia. É importante salientar que não se trata de um espetáculo feminista, mas, sim, feminino, em que os homens são bem-vindos”, ressalta Jemima, que, pela primeira vez, regerá uma equipe formada por instrumentistas do sexo feminino.
No repertório do show, há espaço para samba, pop, blues, jazz, rock, xote, entre outros estilos. “Escolhi o repertório ao lado das cantoras. Cada uma cantará uma música de seu trabalho solo, que tenha um tema ou mensagem às mulheres, e outra de compositores nacionais, que também trate do universo feminino, respeitando o estilo de cada interpréte. E elas também cantarão juntas”, detalha a diretora musical.
Serviço: Show "Entre Elas", nesta sexta-feira (20), às 20h30, com as cantoras Juliana Sinimbú, Lia Sophia, Dayse Addario e Simone Almeida. Participação especial: Charme do Choro. Direção Musical: Cibelle Jemima. Ingressos: R$ 10. Informações: 3222 3409 / 8121 2612. A Cadicoisa é uma das apoiadoras do evento.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Projeto "Se esta rua fosse minha..." pretende mudar a imagem da esquina do Espaço Cuira

Por Isaac Lôbo
Arte: Klébeson Moura

Com a intenção de dar uma nova "cara" à esquina das ruas 1º de Março e Riachuelo, o grupo Cuira criou o projeto "Se esta rua fosse minha...", que, durante cinco finais de semana dos meses de janeiro e fevereiro, proporcionou aos paraenses mais uma opção cultural na cidade, com espetáculos no Espaço Cuira e um mercado com produção de jovens estilistas e designers, o Rua Estilo.

Para preparar o local para receber o público, integrantes do projeto lavaram a rua 1º de Março no dia 17 de janeiro com muita energia, descontração e alegria. A intenção também foi chamar atenção para o problema do lixo urbano, coleta seletiva e descaso com um dos bairros que ainda preserva a história da cidade.

No dia 18 de janeiro, depois da lavagem, o projeto iniciou suas atividades, com o espetáculo "Quem tem riso vai à lona", do grupo Notáveis Clowns, que abriu a programação teatral, às 11 horas, no Espaço Cuira. Do lado de fora, os jovens criadores apresentaram suas criações, de 8 às 14 horas. A Cadicoisa fez parte e apóia essa iniciativa.